ECOVILA BUDISTA

localização: Botucatu

ano: 2020

arquitetxs:  Tomaz Lotufo | Bianca Leopoldino

Este Diagnóstico Permacultural foi desenvolvido na zona rural do município de Botucatu (SP) para apontar potencialidades de uso e ocupação de um território a ser compartilhado e cuidado, inicialmente, por 06 e, futuramente, por 15 famílias dedicadas à filosofia e prática budista, cujo propósito é o cuidado com a terra e com a vida.
Buscou-se interpretar a área de 58 hectares com o objetivo de integrar o habitat humano, a preservação da flora e a fauna silvestre e também a cultura rural. Diversas áreas são voltadas para o cuidado comum e outras, particulares.

Primeiramente apresentamos as condições físico-climática do local e a planta de situação com destaque para o monocultivo expressivo de eucalipto adensado e ramificado de, aproximadamente, 5 anos de idade, em área de altitude elevada, sendo a primeira metade, relativamente plana e, a partir dela, inicia-se um declive mais acentuado. Além do eucalipto estão demarcados nesta planta a crista da Cuesta de Botucatu, pontos de erosão, nascentes, mata nativa existente (Área de Uso Restrito), acessos e áreas de uso comum como casa-mãe, edificações rurais de apoio para cultivos agrícolas e criação animal e um pequeno curso d’água na parte inferior da propriedade, constituindo uma de suas divisas.
Para a adequação ambiental, foram propostas contenção de erosão, bacias de retenção e recomposição da mata nativa determinada no Cadastro Ambiental Rural (CAR), também conectando-a em corredores ecológicos.
Na área de monocultivo de eucalipto a proposta de intervenção foi seu raleamento e abertura de clareiras para um plano de ocupação com diretrizes ecológicas, estando a maioria das áreas de convivência e moradia em meio a um cultivo menos adensado e mais diverso, com implantação de sistema silvipastoril na primeira parcela e sistema agroflorestal (SAF) na segunda parcela.
Dependendo da qualidade do eucalipto cortado, este poderá ter variados destinos, como pode-se ver no esquema de uso.

Após adequação ambiental foi determinado o zoneamento permacultural, priorizando as áreas comuns com vocação para convivência, que constituem tanto áreas livres, quanto edificações voltadas a encontros. As construções rurais e áreas de cultivos agrícolas, arbóreas, em sistemas agroflorestais, silvipastoris e agrossilvipastoris também são de uso comum.
A maioria dos lotes particulares foi alocada de acordo com diretrizes ecológicas, em área de declive pouco acentuado, com acesso facilitado e com vistas.
Este diagnóstico resultou na proposta de uma paisagem preservada, produtiva e contemplativa, que valoriza as relações do ser humano com o meio e a espiritualidade.

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