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Aplicando Princípios de Permacultura na Educação

TRADUÇÃO: PEDRO SOUZA

 

REVISÃO: TOMAZ LOTUFO

 

Você é um educador? Você ajuda pessoas de qualquer idade a aprender? Você quer aperfeiçoar o seu ensino? Evelyn Marsh descreve como a aplicação de princípios de permacultura pode formar um educador mais criativo e eficaz.

 

      Ensinar e aprender são duas atividades humanas básicas que têm ocorrido desde que o primeiro fazedor de ferramentas ensinou outros a quebrar coisas com uma pedra. O compartilhamento de conhecimento é sustentável e essencial para a manutenção de qualquer cultura. Não é necessário um reconhecimento institucional para tornar o ensino real ou relevante. Em nossos esforços para estabelecer a permacultura como um ensino reconhecido, nós corremos o risco de impor formatos e procedimentos que se relacionam a procedimentos institucionais ao invés do mundo real.

      A permacultura é algo que procura pela melhor maneira de fazer as coisas a partir da sua situação. Ao ensinar, ou melhor, ao ajudar os outros a aprender – o que as vezes é outra coisa – o uso de princípios de permacultura pode oferecer formas eficientes de lidar com o ensino e a aprendizagem.

 

Aqui vão alguns indicadores:

  • Professores precisam ser aprendizes. Todo professor deve sempre aprender algo fora de sua zona de conforto para poder ter empatia pelos que eles estão ensinando.

  • O objetivo de ensinar é tornar o professor redundante. Enquanto mais os aprendizes podem fazer por si mesmos, mais eles aprendem.

  • As pessoas aprendem melhor o que elas ensinam a outros.

  • As pessoas absorvem mais do que elas aprendem quando estão engajadas em algo real e importante para elas.

  • Nunca faça uma pergunta para a qual você já tenha uma resposta.

  • O objetivo do aprendizado não é encontrar as respostas, e sim descobrir novas perguntas.

  • Transforme o aprendizado em um jogo. Jogos ajudam as pessoas a relaxar, participar, pensar, praticar e agir.

  • Ensinar é uma arte – uma arte criativa e performática. A mágica está no planejamento e adaptação da sessão para que cada indivíduo obtenha dela algo de valor.

  • Certificados servem apenas para propósitos administrativos.

  • Ensinar não é o importante, e sim aprender.

 

Observe e interaja

      Aprendizes não são uma espécie diferente. Eles sabem muito mais do que seus professores em vários sentidos. Ouça seus estudantes e aja de acordo. Não adivinhe ou pense que você já sabe: deixe eles mostrarem o que eles precisam. Não fale, pergunte. Revise os seus planos de ensino de acordo. O tempo gasto socializando é um bom tempo de aprendizado. Faça refeições de grupo nas quais cada um deve trazer algo para dividir (as vezes sem aviso prévio).

 

Capture e guarde energia

      Procure pessoas que estão com dificuldades e coloque elas como pares de outras que não estejam. Use um pequeno desafio para despertar interesse. Use jogos para encorajar pessoas a praticarem novas habilidades. Descubra o que as pessoas sabem fazer e procure formas de utilizar essas habilidades. Coloque os mais agitados para fazer trabalho físico. Procure voluntários para fazer tarefas de limpeza e arrumação. Não se exceda. Seja honesto. Não tente fingir que você sabe coisas das quais você não tem certeza. Direcione pessoas para lugares onde elas podem encontrar respostas melhores. Meça seu ritmo.

 

Obtenha uma colheita (rendimento)

      Sempre saiba qual é o seu objetivo. Ajude as pessoas a definir objetivos realistas e encontre maneiras de ajuda-las a reconhecer e celebrar as suas conquistas. Se certifique de que todos tenham algo para celebrar. Tente criar algo útil, com um público e situações reais. Faça música. Voluntarie o trabalho do grupo. Distribua o seu excedente.

 

Aplique auto-regulação e aceite feedback

      Providencie oportunidades para as pessoas refletirem sobre o seu aprendizado e sobre como elas podem aplicá-lo. Comece a sessão perguntando o que elas se lembram da última vez. Pergunte se as pessoas têm ideias de como tornar as coisas melhores. Do que as pessoas gostaram e não gostaram? Que questões foram levantadas? Desenvolva a sua capacidade de escutar.

 

Use e valorize recursos e serviços renováveis

      Não compre ou alugue serviços e coisas que você pode pegar emprestado. Faça com que as pessoas tragam coisas com elas. Use materiais de segunda mão ao invés de usar apenas coisas novas e brilhantes. Visite bazares que vendem coisas usadas e lojas que tenham objetos de segunda mão. Crie seus próprios recursos – ou melhor ainda, faça-os com a ajuda de seus aprendizes. Ajude os aprendizes a organizar e ensinar algumas sessões de aprendizado.

 

Não gere desperdício

      No ensino, a maior parte do desperdício é o desperdício de tempo. Evite que haja pessoas esperando por você, pela sua próxima instrução, pelo próximo slide de Powerpoint, pelo resto do grupo. Dê as pessoas material escrito sobre o assunto que está sendo ensinado para que elas não gastem tempo e papel com anotações – a menos que elas queiram. Reduza as suas interferências o máximo que conseguir e deixe as pessoas se focarem em seu aprendizado. Use situações reais, não situações inventadas baseadas na realidade (como a maioria dos exemplos em livros de ensino e questões de provas). Ao invés disso, pergunte para as pessoas quais são os seus problemas e use esses problemas. Ou compartilhe alguns de seus próprios problemas. Um jogo conta como uma situação real. Não desperdice uma sessão fazendo coisas que as pessoas poderiam estar fazendo em casa. Dê lição de casa. Use os dois lados das folhas.

 

Desenhe do padrão para os detalhes

      Dê ferramentas para as pessoas e ensine elas a usá-las ao invés de fornecer informações específicas (que muitas vezes nem são relevantes para elas). O importante não é o quanto você consegue fazer caber em uma sessão, e sim o quanto as pessoas absorvem.

 

Integre ao invés de segregar

      Se certifique de que o que você ensina é relevante. Não acredite que o que você tem a ensinar ou que o seu método de ensino é o correto apenas porque é assim que você aprendeu. Olhe para as coisas de forma mais ampla ao invés de fazer as pessoas se perderem em exemplos. Use talentos individuais para contribuir ao grupo ao invés de gerar fricção. Se certifique de que todo mundo pode te ouvir e enxergar quando você está ensinando. Grave sessões para o caso de alguém perdê-las.

 

Use soluções pequenas e lentas

      Não apresse as pessoas na busca por “respostas”. Evite que hajam respostas “corretas” a princípio – procure por perguntas e exemplos abertos.  Use jogos para facilitar a aplicação de novas habilidades. Dê para as pessoas espaço para que elas possam pensar por si próprias. Pare de falar.

 

Use o valor e a diversidade

      Como foi dito acima: o grupo sabe mais do que você, eles apenas não sabem disso ainda. Acredite que as pessoas do grupo possam fazer coisas maiores e melhores do que você jamais fará. Valorize cada pessoa e ajude-as a descobrir seus talentos. Ninguém é ordinário. Abra espaço para que elas brilhem. Deixe-as vencer.

 

Use as margens e valorize o marginal

      Ouça as perguntas estranhas e veja para onde elas podem te levar. Tente formas diferentes (inesperadas, não-convencionais) de passar a mensagem. Esteja pronto para mudar. Seja o exemplo. Explore as “margens” do grupo – seus interesses e aprendizado anterior. Onde o grupo interage com outros? Como ele pode passar a mensagem? Desenvolva redes.

 

Use as mudanças e reaja a elas de forma criativa

      A prova de que o aprendizado está ocorrendo reside nas mudanças que ele produz. Memórias, experiências, habilidades e um conhecimento novo mudam as pessoas. Ajude elas a se preparar para ver as coisas de forma diferente e perceber as suas próprias mudanças. Apoie elas nesse processo assustador.

 

UM AVISO

      As coisas mais difíceis para um educador são: Pergunte, não diga. Meça o seu ritmo. Não se ofenda. Ajude os aprendizes a preparar e ensinar algumas das sessões. Ninguém é ordinário. Reduza a sua interferência ao mínimo. Pare de falar. E lembre-se: Certificados servem apenas para propósitos administrativos.

 

VERSÃO EM INGLÊS: https://www.permaculture.co.uk/articles/using-permaculture-principles-become-better-teacher

 

 

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