Pavilhão Brasileiro na Bienal de Veneza


Este projeto é parte de um processo de resistência e luta dos moradores do Jardim Damasceno na ocupação desta borda da cidade de São Paulo desde 1960.

Aqui a arquitetura tem sua força na apropriação e legitimação do território, junto aos moradores. Um espaço aberto e livre, em um bairro adensado e vulnerável, é potencialmente o lugar de conexão, aproximando escolas, moradores, organizações sociais e comerciantes, promovendo condições para o desenvolvimento integral da comunidade.

ARQUITETURA PROCESSUAL

A beleza da arquitetura neste contexto está no processo. Valoriza-se neste projeto o espaço entre o desejo e o uso, o construir e habitar. No desenho, os momentos de convergência de ideias e criação, conexão entre saberes, participação popular em comunhão com arquitetos(as).

Na construção, um sistema estrutural e uso de materiais e técnicas que vêm de encontro ao processo construtivo coletivo. É o programa chamado “Escola Sem Muros”: reconhecer a prática construtiva em comunidades como um processo de educação integral. Por meio de um exitoso financiamento coletivo online realizado em 2017, estão sendo realizados cursos de formação com estudantes e a comunidade para construção deste espaço.

Um saber que ultrapassa os muros da universidade, os muros físicos e simbólicos da sociedade, deixando um legado para a transformação da comunidade local.

No uso, um organismo em pleno funcionamento interagindo com as pessoas, recebendo água da chuva, processando resíduos, alimentando a horta e produzindo água com saneamento biológico.

A mínima intervenção, uma estrutura existente vestida por outra em bambu, plantado e tratado por um agricultor familiar da região metropolitana de São Paulo, Parelheiros.

A nova pele será com paredes de terra permitindo a conexão do ar, de dentro para fora.

Neste processo, formação de valores, pessoas que semearão seus mundos, atravessando os muros de ar.

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