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CONCURSO: UBS GURUGI

 localização:  Conde, Paraíba- Brasil

ano: 2019

arquitetxs: Ana Beatriz Giovani, Cassia Yebra, Tomaz Lotufo, Flavia Burcatovsky

Parceria: Estúdio Mangava

Este projeto busca produzir uma arquitetura que esteja aberta ao que existe em seu entorno, permitindo uma articulação da UBS com outros equipamentos públicos, e iniciativas comunitárias de modo a dar o espaço para a comunidade se apropriar da Unidade Basica de Saúde e vice versa.

 

1. HUMANIZAÇÃO DA ARQUITETURA PARA SAÚDE INTEGRAL

O Sistema Único de Saúde brasileiro é bastante concorrido, e os usuários das Unidades Básicas de Saúde, normalmente enfrentam longas e desumanizadas esperas. A má condição de saúde dos pacientes atrelada a uma arquitetura de baixa qualidade, aumenta a vulnerabilidade de todos usuários. A arquitetura destes espaços, portanto, tem um papel importante na humanização da prevenção e tratamento da saúde A humanização dos espaços de saúde se faz também a partir da construção coletiva de seus usuários. Quando o profissional da saúde percebe a vida na sua plenitude, se inserindo na coletividade e meio ambiente, ele consegue ter um olhar integral sobre o outro e o processo de cuidado da saúde se humaniza. Neste sentido, este projeto pretende favorecer o contato com as diversas esferas da vida, oferecendo o contato com elementos de nossa natureza social e ambiental. Partindo da interpretação do Plano Nacional de Humanização, foram pensados espaços que possam possibilitar diversas formas de interação com a comunidade, podendo gerar integração, articulação, liberdade e autonomia. Esperamos que para além do atendimento, os moradores de Gurugi frequentem e usufruam do espaço para diversos fins, seja para uma reunião, um curso, uma atividade de alongamento, para plantar ou participar de um curso de “Farmácia Viva”. Estes elementos são fundamentais para a promoção de saúde integral, onde tanto o profissional de saúde, quanto o usuário sintam confiança pois conseguem se perceber por inteiro.

2. CONCEITO

Entendemos que o atendimento à saúde deva reconhecer o corpo em sua integralidade, sendo importante considerar também as esferas sociais e ambientais. Assim como o corpo humano, a edificação foi pensada como um organismo vivo, todas suas partes devem funcionar como os órgãos de um corpo, permitindo que a energia presente possa fluir formando ciclos, despertando nos funcionários e usuários a cultura do cuidado, que começa do corpo, vai para o solo, água e vegetação e se fortalece no fazer comunitário. O Projeto pretende despertar esse olhar e otimizar a capacidade de integração entre pessoas e o meio. Para isso buscou-se criar um espaço que convide as pessoas a entrar, na base para ser atendida por profissionais que cuidam da saúde, na cobertura uma grande praça como um espaço pedagógico, de encontro de saberes e reuniões comunitárias.

 

Também, um local de percepção dos ciclos da vida, de entender que quanto mais conexões positivas ocorrem, maior a vitalidade do sistema. Por um lado, conexão de pessoas, se reunindo e participando da tomada de decisões pela comunidade, do outro, conexões que ocorrem por meio do fluxo da água em um sistema de relações onde o resíduo de um elemento (recurso) é o insumo do outro elemento. Do momento em que uma torneira é aberta, ou um resíduo orgânico é colocado na composteira até a colheita de uma erva medicinal percebesse que a integração positiva da água com o solo e as plantas gera vitalidade que se manifesta em forma de beleza, ervas, flores, verduras e legumes. Chega-se à conclusão de que quanto maior o número de pessoas frequentando o espaço, maior será a vitalidade ambiental e social dele. Um elemento ganha valor (vitalidade e significado) quando se relaciona à outro por meio de um fluxo energético. Para que este fenômeno aconteça é preciso que a energia esteja disponível. A disponibilidade energética depende do espaço adequado para que ela se manifeste com qualidade. Neste caso a arquitetura tem muito a contribuir promovendo encontro da vida, despertando a cultura do cuidado.

O espaço por fora e por dentro

Para integração das pessoas a proposta contempla permeabilidade do espaço, desenvolver áreas de espera com características de pequenas praças, contato de todos os ambientes com vegetação, ventilação e luz natural. O acesso é a continuidade da calçada permanecendo o sentimento do público, a entrada é marcada por um terraço de espera e acolhimento. A calçada foi desenhada formando pequenas praças na relação com a volumetria do edifício e vegetação, pela manhã, quando a unidade ainda não estiver aberta, a espera pode ser na calçada, um local agradável. A chegada é pela esquina, e todo o espaço se organiza em torno de um pátio vegetado, então, junto com as plantas e iluminação natural, é possível reconhecer aonde estão todos os setores e qual será a praça de espera para o atendimento. A espera é sempre conectada ao jardim.

 

Ao lado do acesso de atendimento, existe uma segunda entrada em direção à um grande teto jardim que tem como característica ser um espaço educador e de atividades comunitárias. Lá é possível desde aprender sobre o ciclo da água, conhecer possibilidades de saneamento biológico, até contemplar a cidade e participar de reuniões. Um convite para que as pessoas se olhem, desenvolvam atividades juntas e se reconheçam como parte de um coletivo, uma família. A edificação se divide em dois setores principais: no térreo, um espaço interior onde se concentra a área de atendimento, no pavimento superior, o exterior, a praça como um espaço pedagógico, de encontro de saberes e reuniões comunitárias. Também, um local de percepção dos ciclos da vida, de entender que quanto mais conexões positivas ocorrem, maior a vitalidade do sistema, tanto em processos biológicos quanto nos sociais. A existência do espaço exterior é uma extensão da cidade, não precisa estar doente para ir até lá. Mas para aqueles que precisam de um atendimento, esta praça tem o papel de tranquilizar o paciente para ele ser mais fácil lidar com o atendimento e a doença.